A Ti Miséria queixava-se que lhe subiam à nogueira e lhe roubavam as nozes, o seu único tesouro, mas um dia descobriu uma maneira de isso não voltar a acontecer.
Descobriu também uma maneira de enganar a morte, e por isso continua, há 14 anos, a aquecer o forno e a cozinhar os seus bolos, porque ela nunca a virá buscar.
As leis do esquecimento, na vida e no teatro, nada valem perante a história que ela tem para nos contar.
Assim que o pano fechou pela última vez, aquela velhinha curvada e determinada esgueirou-se pelos bastidores. Há quem diga que ela passou para o lado de cá, o da realidade. Há quem jure tê-la encontrado, sentada num banquinho junto à nogueira, que ainda lá está, a guardar um segredo.
Com as suas lengalengas de avó, sozinha, à espera dos netos que nunca teve.
a partir de
“nós de um segredo”
conto tradicional galego
encenação e espaço cénico
João Brites
com
paula só
criação
teatro o bando
Fundado em 1974 e constituindo-se como uma das mais antigas cooperativas culturais do país, o Teatro O Bando assume-se como um colectivo que elege a transfiguração estética enquanto modo de participação cívica e comunitária.
Na génese do Bando encontram-se o teatro de rua e as actividades de animação para a infância, em escolas e associações culturais, integradas em projectos de descentralização.
As criações do Bando definem-se pela sua dimensão plástica e cenográfica, marcada sobretudo pelas Máquinas de Cena, objectos polissémicos que transportam em si uma ideia de acção. O trabalho dramatúrgico é também muito importante, apresentando a explícita colagem de materiais literários e a inclusão de manifestações de raiz popular. Na sua maioria de autores portugueses, os textos encenados são a grande parte das vezes obras não dramáticas, às quais a forma teatral, nas múltiplas linguagens que integra, confere outra comunicabilidade. Rural ou urbano, adulto ou infantil, erudito ou popular, nacional ou universal, dramático ou narrativo ou poético – tais as fronteiras que o Bando se habituou a transgredir. Ao longo do seu trajecto, o grupo esteve ligado a múltiplos projectos nacionais e internacionais, e a aposta na itinerância continua a levar vários espectáculos por todo o país e além-fronteiras.
Depois de diversas moradas, o Bando habita hoje uma quinta em Vale dos Barris, Palmela, onde se encontra um número ainda insuspeito de palcos potenciais feitos de estrelas, de oliveiras e penedos. Aí, o Bando espera por vós, sempre com uma sopa, pão e queijo, um moscatel, uma conversa ao pé do lume.
18h00
