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Trilho de S. Martinho de Anta

“Corre por estes montes um vento desolador de miséria que não deixa florir as urzes nem pastar os rebanhos. O social juntou-se ao natural, e a lei anda de mãos dadas com o suão a acabar de secar os olhos e as fontes. Crestados e encarquilhados, os rostos dos velhos parecem pergaminhos milenários onde uma pena cruel traçou fundas e trágicas lendas. Na cara lisa dos novos pouca mais esperança há. (…) E foi por isso que fiz aqui uma promessa que te transmito: que estava certo de que tu, habitante dos nateiros da planície, terias em breve compreensão e amor pela sorte áspera destes teus irmãos. Que um dia virias ao encontro da aridez e da tristeza contidas nas suas fragas, como sensível criatura tocada pela magia da arte e chamada pelos imperativos da vida.”

Miguel Torga (in, prefácio à 2ª edição de “Novos Contos da Montanha”)

 

Geologia

Nesta Região a formação rochosa é de natureza ígnea, granitos. neslagumas encostas, os afloramentos graníticos encontram-se povoados por pequena vegetação de porte arbustivo e abóreo que teimam em resistir ao domínio do reino mineral. esta paisagem granítica resulta de muitos milhões de anos de acção dos agentes erosivos.

 

Caracterização da Flora

A flora é bastante abundante, encontramos por exemplo líquenes (organismos pioneiros formados pela associação altamente eficiente de uma alga verde com um fungo) como Rhizocarpon geographicum, muito característico netsas zonas graníticas, onde recobre a rocha conferindo-lhe um tom amarelo-esverdeado. também podemos observar fetos fissurícolas como a fentelha (Polypodium vulgare) que prefere as cavidades fissurais rochosas mais húmidas, menos expostas; ervas e arbustos como Saxifraga spathularis, o bem-me-quer-das-rochas, um malmequer raro das áreas montanhosas, Silene foetida, cravos silvestres e várias espécies do género Armeria que são raras e, algumas, exclusivas de Portugal (endemismos lusitânicos) como a Armeria transmontana. estas plantas referidas estão caracteristicamente associadas ao substrato rochoso, no entanto, existem outros organismos menos especializados que também conseguem sobreviver nestas condições, onde se foi formando e acumulando verdadeiro solo, são elas a azinheira (Quercus ilex spp rotundifolia), a carqueja (Pterospartum tridentatum), a giesta branca (Cytisus multiflorus) e o tojo (Ulex europaeus).

 

  • Caracterização da Fauna

    Como acontece com a flora, na fauna também podemos encontrar animais que podem ou não ser exclusivos de meios rochosos. Assim, podemos encontrar aves como o melro-azul (Monticola solitarius), o rabirruivo (Phoenicurus ochruros), a andorinha-das-rochas (Ptyonoprogne rupestris), a gralha-de-nuca-cinzenta (Corvus monedula), o estorninho-preto (Sturnus unicolor), o corvo (Corvus corax) e o peneireiro (Falco tinnunculus). Por vezes podem aparecer algumas aves de rapina como o grifo (Gyps fulvus).

    Podem ainda ser encontrados alguns répteis como a víbora-cornuda (Vipera latastei), o lagarto-comum (Lacerda lepida) e a sardanisca-ibérica (Psammodromus hispanicus), sendo estes últimos fáceis de detectar uma vez que, normalmente procuram sitios expostos sobre os blocos rochosos onde permanecem imóveis ao sol.

    Encontramos ainda por todo este territótio aglomerados de pinheiro-bravo (Pinus pinaster) assim como toda a fauna e flora que lhe estão associadas.

  • Património Arqueológico

    No percurso de S. Martinho de Anta podemos ainda encontrar a Mamoa I de Madorras com vestígios de pinturas e gravuras em alguns dos seus esteios, símbolo máximo do Megalitismo em Sabrosa.

    A preocupação com a via para além da morte levou os Homens Pré-Históricos a construir estes dólmens ou antas reservados à deposição dos corpos ou restos ósseos de um número restrito de indivíduos.

    Outro monumento existente neste território é o Castro de Sabrosa ou da Sancha.

    Com uma importante implantação geoestratégica, sobranceiro ao rio Pinhão, o Castro de Sabrosa é já conhecido bibliograficamente desde o séc. XVIII, assumindo-se hoje como uma das principais estações arqueológicas da região do Douro.

    As escavações aqui realizadas permitiram a identificação de uma acrópole, denominada pelos responsáveis como “reduto cimeiro” dominada por um torreão maciço em pedra que encosta parcialmente à 1ª muralha ou muralha principal do povoado de onde se acedia para um recinto murado em cujo interior se podem observar estruturas habitacionais de tipologia variada, portas e rampas de acesso.

    Verdadeiramente imponentes são as três cintas da muralha construídas com enormes e bem afeiçoados blocos graníticos.

  • Contactos Úteis

    • Número Emergência Nacional: 112
    • Bombeiros Voluntários: 259 939 412
    • GNR: 259 939 412
    • Câmara Municipal: 259 937 120
  • Recomendações e cuidados aos caminhantes

    • Não saia do trilho limitado pelo Mapa
    • Use roupa e calçado confortável e adequado à época do ano
    • Não deite lixo para o chão, levando-o até ao caixote mais próximo
    • Não faça lume
    • Respeite a fauna e a flora, não recolha plantas, nem apanhe animais
    • Desfrute da natureza, evitando fazer barulho
    • Seja simpático com os habitantes locais
    • Recomenda-se o uso de binóculos para a observação da avifauna

 

Trilho de S. Martinho de Anta

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Mapa de Localização