Muitas estações arqueológicas de períodos anteriores evidenciam de forma clara a ocupação medieval das mesmas, sobretudo através da presença de numerosos fragmentos cerâmicos.
No entanto, foram identificados vários vestígios datáveis da época medieval (séculos V a XV), dos quais se faz destaque para as sepulturas abertas na rocha das Touças (entre Garganta e Vilar de Celas), do Chão das Velhas (Arcã) e do Chão de Mouros (Donelo), assim como as duas sepulturas e as cabeceiras de sepultura discoidais descobertas no adro da Capela do Sr. Jesus de Sta. Marinha em Provesende
Necrópole das Touças (ou “Cemitério dos Mouros”) A necrópole das Touças está situada junto a um antigo caminho rural, que unia os lugares de Garganta e Vilar de Celas. É um local com excelentes condições para a agricultura e produção animal, sendo irrigado por um ribeiro que acompanha o caminho.Segundo algumas referências, esta necrópole estaria associada a um antigo povoado aberto mas, até agora, não se encontraram vestígios deste e os alinhamentos de pequenos muros e derrubes de pedra miúda de granito também não permitem elaborar qualquer hipótese.
Quanto à necrópole esta é constituída por cinco sepulturas, que apesar do mau estado de conservação, não correm o risco de ruína total. Destas três são duplas e duas simples. Cronologicamente estão todas associadas à Alta Idade Média, mais concretamente ao período da reconquista, ou seja, séculos X a XI. Identificadas como Sepultura 1 e 5 das Touças, as de estrutura simples encontram-se escavadas em blocos dispersos de granito, sem tampa e de planta sub-rectangular, apresentando as paredes laterais muito destruídas pela erosão.
As Sepulturas 2, 3 e 4 das Touças são de estrutura dupla e também se apresentam sem tampa e com uma configuração sub-rectangular. A Sepultura 4 das Touças foi escavada num pequeno afloramento granítico, ostentando um curto septo longitudinal a separar as duas cabeceiras. As restantes foram escavadas em blocos dispersos de granito.
Como curiosidade, junto da necrópole, encontram-se gravados na base de uma fraga granítica, ao nível do solo, no lado poente de um palheiro construído junto ao caminho rural, dois podomorfos com a orientação N – S.
Bibliografia António Alberto Huet de Bacelar Gonçalves, “Contribuição para o Inventário Arqueológico do Concelho de Sabrosa – Distrito de Vila Real”, in Separata da PORTVGALIA, Nova Série, Vols. XIII-XIV, Porto, 1992/93, pp. 173-217.; LOPO, Albino dos Santos Pereira, Apontamentos Arqueológicos, Instituto Português do Património Cultural, Lisboa, 1987, p. 179.; http://www.ipa.min-cultura.pt
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